Kohama
Kohama
Kohama
1998, São Luís, MA, Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
“Sou Ruth Dias, conhecida artisticamente como KOHAMA, artista visual autodidata, nascida em São Luís do Maranhão e criada na Rocinha, Rio de Janeiro. Minha pesquisa poética nasce da escuta sensível do corpo, da memória e da oralidade, atravessada por experiências de ancestralidade, território e reinvenção. Minha prática transita entre escultura em barro cru, colagens digitais e sonoras, sempre em diálogo com as minhas vivências e com as histórias que me atravessam.
Iniciei minha trajetória artística de forma intuitiva e autodidata, criando a partir de memórias do corpo e do desejo de reconexão com minhas raízes, especialmente as experiências herdadas das mulheres da minha família. Busco expressar a força dos gestos, dos silêncios e das presenças que me antecedem. O barro cru, que é meu principal material, me conecta com a terra, com o tempo e com o que se desfaz para continuar existindo.
Trabalho com o barro não queimado porque ele carrega a ideia de algo que está sempre em processo. Valorizo o tempo, o cuidado e o gesto como parte viva da obra. Escutar o corpo e o território que habito é parte essencial do meu fazer artístico. Nas colagens digitais e sonoras, também proponho narrativas fragmentadas, onde vozes, ruídos e imagens se misturam para criar atmosferas de tempos que já existiram, ecos daquilo que permanece, mesmo quando parece ausente.
Além da produção autoral, atuo como arte-educadora e oficineira, desenvolvendo oficinas criativas com foco no trabalho com argila, especialmente para crianças e adolescentes. Nessas vivências, busco estimular a imaginação, a liberdade de criação e o reconhecimento das práticas manuais como formas de expressão ancestral. A modelagem do barro, nesses encontros, é também um exercício de presença, escuta e pertencimento. Incentivo a experimentação como forma de aprendizado e autonomia. Já tive a oportunidade de apresentar meu trabalho em espaços culturais e periféricos do Rio de Janeiro, como Parque das Ruínas, Casa Corpo Cria, Coletivo Jardins, João no Sarau (Vidigal) e ExporFavela. Também atuei como assistente da artista Caninana na exposição Território de Lembranças (MAR). Além disso, participei de colaborações com artistas da cena independente em projetos que cruzam arte, território, educação e tecnologia.
Vejo o barro como matéria viva: ele me ensina sobre construir e reconstruir. A maleabilidade e a força do barro traduzem os caminhos que moldam a identidade. Minha arte se desenvolve a partir desses percursos, transformando a matéria em testemunha das experiências que nos conduzem de volta a nós mesmos.”