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Douglas Cortes

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Douglas Cortes

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Douglas Cortes

1986, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

 

“Minha pesquisa artística nasce e se expande a partir da imagem — sobretudo da imagem fotográfica — entendida não apenas como registro, mas como lugar de pensamento e invenção. A fotografia, aqui, é método e meio: uma ferramenta para a observação atenta do real, especialmente de seus acontecimentos mais sutis, frágeis, silenciosos e quase-invisíveis. É um exercício de presença, de perceber o instante antes que ele se dissolva, e de construir, a partir dele, novas possibilidades de olhar. Ainda que a fotografia seja o eixo central, minha prática não se limita a ela. A pintura, o desenho, a performance e a escrita surgem como extensões, desdobramentos e tensões desse núcleo, sempre mediadas pelo fotográfico. Essas linguagens convivem, se contaminam, e se apresentam como modos diferentes de falar da mesma inquietação: como traduzir o invisível em presença sensível. O trabalho se constrói também em diálogo com a história da arte e com artistas que, em diferentes tempos e lugares, deixaram rastros nos meus caminhos visuais — de Paul Cézanne a Rivane Neuenschwander. Ao mesmo tempo, é uma obra atravessada pela experiência íntima: memórias de infância, cenas da escola, o cotidiano do subúrbio carioca onde nasci e vivo. Esses dois universos — o da referência artística e o da memória pessoal — não se opõem, mas se entrelaçam, criando um território onde o particular e o coletivo se confundem. Há uma generosidade na constituição de cada projeto. Eles nascem volumosos, talvez pela própria natureza da fotografia, com sua capacidade de multiplicar imagens, intensificada pelo digital. Mas também pelo desejo insistente de olhar mais, de levar a investigação até o limite, de não interromper o gesto antes de esgotá-lo. O resultado é sempre um corpo extenso de imagens, que exige um trabalho rigoroso de pós-edição, seleção e organização. Por isso, meus trabalhos raramente se encerram em uma única peça ou imagem totalizante. Eles se apresentam como séries e conjuntos, que não pretendem dizer tudo, mas manter o campo aberto — sempre em processo, sempre passíveis de novos desdobramentos. Entre o instante e a memória, entre o íntimo e o compartilhado, meu fazer poético busca sustentar a tensão entre o que se mostra e o que permanece oculto”.

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